Zezé Di Camargo & Luciano lançam novo álbum *Double Face*

Dores de amores. Conciliações e reconciliações. Razão fora da ordem.

Viola e sanfona a chorar, e nada de se desculpar aos teclados,
bateria e baixo que desfilam logo ao lado.

A contar do sertanejo que estilhaçava corações nos anos 80 à música
romântica atual em parte referendada naquele passado nem tão distante,
até parece que o relógio correu mais que três décadas.

Sopros, cordas, letras, primeira e segunda vozes denunciam a
longa distância para o mesmo mal: as tais dores de amores.

Daí ser tão preciosa a oportunidade que Zezé Di Camargo & Luciano
apresentam desta feita, ao avizinhar duas épocas, dois estilos para
gêneros (quase) similares numa mesma caixa de CD.

Daí o nome “Double Face” para batizar o novo trabalho do par mais
popular do Brasil, que brinda a platéia com dois álbuns:
um disposto a resgatar repertório de clássicos que traduzem um período,
e outro quase todo feito de canções inéditas, criações deste início
de milênio igualmente prontas para embalar romances imprescindíveis.

A dramaticidade das letras antigas provoca, naturalmente,
uma interpretação à altura, evidenciando ainda mais o
contraste entre um CD e outro.

“Às vezes, até parece que são outros cantores”, brinca Zezé Di Camargo
para quem o repertório dos chamados “modões sertanejos”
representa um referencial forte na formação musical.

“O Luciano, por ser mais novo, talvez tenha pegado aquela fase
menos que eu, mas ele captou divinamente bem um estilo
que as novas gerações mal assimilam, foi perfeito.”

Luciano confirma: “Musicalmente, pra mim, foi um desafio, porque
a maneira como as duplas sertanejas cantavam na época era diferente,
a segunda voz é muito trabalhada.

Tive a preocupação de buscar uma maneira diferente de fazer
essa segunda voz, para respeitar os originais, claro, mas sem
deixar de imprimir o meu modo de cantar.”

Quanto à dor que move as paixões entoadas no passado,
não é que o sofrimento de hoje em dia seja menor, longe disso,
mas é inegável que o tema tenha primado por tom bem mais
exacerbado em outros tempos.

“Hoje você manda seu coração numa caixinha de música; naquela época,
a mulher enfiava a unha no coração do cara e rasgava”, fala Zezé.

A ressaltar, como bem observa o músico, a genialidade desses
modões em cantar todo e qualquer conflito amoroso com uma
euforia extraordinária, como se tudo fosse uma grande festa.

E não é? “As músicas são alegres, a maneira de cantar é alegre e,
quando toca, a reação nas pessoas é gritar de alegria,
de emoção”, constata.

O Repertório

Entre polcas, chamamé, guarânia e rasqueado, o CD de modões
sertanejos soma 12 faixas, mas entrega 13 músicas.

É que “Telefone Mudo” (de Franco e Peão Carrero,
gravada em 1983 pelo Trio Parada Dura) e a eterna
“Ainda Ontem Chorei de Saudade” (de Moacyr Franco, gravada
originalmente por João Mineiro e Marciano, em 1987)
estão acomodadas na mesma faixa.

Ao contrário do outro CD, este dispensa bateria.

Apega-se a sanfonas, violas e arpa paraguaia, um afago aos ouvidos,
entre outros instrumentos.

E, embora o referencial do estilo seja mesmo os anos 80 do século passado
algumas dessas canções foram gravadas ainda na última década e uma
delas, “Voando Baixo”, de Felipe e Edson, é inédita.

Fechando o álbum, estão “Cada Qual Tem Seu Valor” (de Compadre Lima
e Juliano, gravada em 1979 por Juliano e Jardel), “Solidão no Seu Lugar”
(de Carlos Randall e Danimar, gravada em 1996 por Chrystian & Ralf),
“Metade de Alguém” (de Darci Rossi e José Marciano, gravada por
Chitãozinho e Xororó em 1999), “Aguenta Coração”
(de Carlos César e José Homero, também gravada por Chitãozinho & Xororó,
em 1991), “Roupa de Lua de Mel” (de Carlos Randall e Dimarco,
gravada em 1990 por Gian & Giovane), “Do Outro Lado da Cidade”
(de Carlos Randall e Danimar, gravada por Guilherme & Santiago
em 2003), “Noite de Tortura” (de Chrystian & Ralf, gravada
em 1984), “Não Quero Piedade” (de Ronaldo Adriano,
Zé da Praia e Barrerito, gravada em 1980 pelo Trio Parada Dura,
“Copo Duplo de Solidão” (de Maracaí, gravada por Adair Cardoso
ainda em 2008) e “Distante Dela” (de Miltinho Rodrigues e Mangabinha
gravada pelo Trio Parada Dura em 1974).

Trocando um CD por outro, o pop romântico se impõe em
arranjos abastecidos por teclados, baixos, guitarras e baterias.

E, a julgar pelo título das músicas, brinca Zezé, até restaria a
suspeita de que a dupla mantém um pé fincado naquela dramaticidade
de outras décadas.

Vide “Tapa na Cara” (de Zel Moreira, Villa e Carlos Randall),
hit que já frequenta a boca do público de norte a sul do País,
e “Apaixonite Aguda” (de Vinícius, Hélio Gomes e Ed Reis).

Com 13 faixas, o CD de novas composições também entrega
uma canção a mais, unindo a gravação de “Do Seu Lado”, de Nando Reis,
aqui solada por Luciano, e de “Tão Linda e Tão Louca”, de Lucas Robles
e Elias Muniz, ambas registradas em estúdio, com direito a
coro de platéia e toda a pinta de show ao vivo.

O disco nos brinda ainda com “Derrama Esse Amor em Mim”
(de Carlos Randall e Tivas), “Um Amor Pra Vida Inteira” (de Edson Flavinho
e Felipe), “Esse Amor Não Valeu”
(de Alexandre, Rick Zezé Di Camargo & Luciano)
“Mentes Tão Bem/Mientes tan Bien” (de Leonel Garcia Nuñez,
Nahyel Rodriguez Schajris, versão de Luiz Cláudio), “Louco de Amor”
(de Álvaro Socci), “Um Novo Cara” (de Darci Rossi e Alexandre),
“Ninguém Vai Bagunçar a Minha Vida” (de Zel Moreira, Cecílio Nena
e Nivrardo Paes), “Comendo em Sua Mão” (de César Augusto e Danimar)
“Estrada” (de Zezé Di Camargo & Luciano) e, caso à parte,
uma faixa em espanhol, “Eres Todos Los Extremos” (de Lucas Robles
e Augusto Cabrera).

Apresentado o repertório da temporada, com 27 canções distribuídas
por cordas, sopros, baquetas e timbres diversos, é o caso de endossar
a pluralidade musical que marca a história de Zezé Di Camargo & Luciano
donos de 19 anos de estrada.

Filhos de Francisco e Helena, os irmãos goianos cumprem com maestria
a façanha de escapar de rótulos culturais, emprestando uma
identidade muito característica a estilos variados.

Caldi Comunicação


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Um comentário sobre “Zezé Di Camargo & Luciano lançam novo álbum *Double Face*

  1. só pode ser mais um sucesso vindo aí.adorei com certeza vai dar um tapa na cara de quem duvidou.amo, adimiro muito o ZEZÉ E O LUCIANO.

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